Poesia. Ano de publicação: 2019.
64 páginas, formato 13 x 21 cm.
Ilustração da capa: Andressa Lima.
Orelha: Ítalo Puccini.
Terceira coleção de poemas do professor, escritor e poeta slammer catarinense Eduardo Silveira, "Tamanduá/Bandeiras" traz poemas que entrelaçam o amor, a liberdade e a defesa dos direitos humanos. Do mesmo autor de "Calopsita", "Fofocas" e "Cachorrada".
ORELHA
edu me convidou a escrever esta orelha quando em mesa de bar comemorávamos meu aniversário, duas ocorrências que beiram o nonsense mas dialogam com a realidade, logo, combinam com ele e este novo livro. depois de os primeiros escritos alçarem voos em leves calopsitas líricas e irônicas, eduardo silveira apresenta a nós, leitores, versos-poemas densos e maduros, agora conduzidos por um animal de hábitos predominantemente terrestres e mais pesado. isto porque os textos deste “tamanduá/bandeiras” versam, de repente, sobre personagens que comem tijolos e políticos a dormirem de sapatos, ou seja, é necessário ao animal da vez saber suportar as desgraças históricas, o enfado do trabalho diário e inclusive as notícias bonitas.
com este livro, edu nos convida a aceitarmos a imaginação como parte do mundo, de maneira próxima à que ele consegue, ao carregar na cabeça os próprios mapas: políticos, cotidianos, líricos e satíricos. e é pelo viés literário o convite de edu para aturarmos por exemplo a burrice e aquele-que-não-pode-ser-nomeado, sinônimos que, sem metáforas, são impossíveis de tolerarmos. o que edu quer com estes poemas, também, é encontrar um lugar do caralho pra amar o amor possível – na
faixa de gaza, nas repartições públicas, num beliche – e, para isso, ele extrai da linguagem o prazer e milita a favor do cerne da carne e contrário aos toscos bons costumes. depois, ainda, edu descansa a língua da linguagem e escolhe palavras com cuidado, capacidade restrita a poucos poetas, o que configura a singularidade desse escritor por quem sou amor da cabeça aos pés.
(Ítalo Puccini)
No livro de Eduardo Silveira podemos encontrar um banco, “desses para onde brasileiros enviam dinheiro ilegal”, uma tribo sem nome em uma floresta prestes a desaparecer (tanto a floresta quanto a tribo), um bombeiro velho e cansado de apagar o fogo, a canção do Roberto nos levando para Além do Horizonte, “Boldonaro” (personagem de nome simbólico – assim mesmo grafado –, amargo e fonicamente presidencial): “militarmente cansado / como se não descansasse mais do que duas horas / desde 1964”. Há uma opção claramente política no livro que faz o poeta defender uma história com “menos adornos e mais Adornos”. A obra, nesse sentido é um gesto potencialmente forte e, segundo o autor, o gesto ainda é “nossa única e verdadeira arma / muito antes de tacapes e bombas / os gestos”. O poema “Antes II” se encerra com um gesto que é também um convite: “dia e noite / até que a estrela exploda / haveremos de militar // militar / sem limites // abaixo a ditadura limitar”.
- trecho do comentário de Caio Ricardo Bona Moreira, publicado no blog “Baú de Fragmentos” em 13.set.2019
Editora independente de Joinville-SC. Fundada por Katherine Funke em 2017. Literatura, ficção, poesia, não-ficção.
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